domingo, 6 de abril de 2008

Retrato


The only real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes, but in having new eyes

Marcel Proust

(A única viagem real de descobertas consiste não em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos)

segunda-feira, 17 de março de 2008

Por um planeta melhor

Imagem clicada do barco durante a madrugada, mostrando vista parcial de prédios na Ponta da Praia, em Santos. As luzes borradas são resultado da baixíssima velocidade para registrar a escuridão, sem auxílio de flash e de tripé


Minha aventura junto com estudantes e professores do curso de Oceanografia começou por volta das 19 horas de quinta-feira e seguiu até as 4h30 de sexta. Por sorte, o perigo representado pelo mar ficou reduzido, já que a embarcação utilizada para a Estação Fixa fica parada bem próxima a Ponte Edgar Perdigão. Mas um ingrediente prometia tornar a noite mais difícil: durante boa parte do tempo choveu e ventou.
Independente do clima, que umedecia a roupa e provocava até uma sensação de frio em pleno verão, o mais estranho foi ficar durante quase toda a noite vendo a cidade de outro ângulo. A iluminação amarelada da orla dá um toque especial a Santos.
Olhando para o outro lado, apesar de ser santista de nasci mento, me surpreendo com a movimentação de navios que passam pelo estuário durante a noite, sempre acompanhados de lanchas da praticagem. Por volta das 22 horas, em cerca de 10 minutos, quatro deles, de tamanhos diferentes, cruzam o canal.
Converso com o oceanógrafo André Belém e mato algumas curiosidades. Ele me conta que quando voltou à Antártica (no final de dezembro) sentou na mesma pedra em que esteve há 14 anos e encontrou um cilindro que deixou com objetos pessoais.
Descubro mais sobre o continente gelado, e fico com um misto de alívio e preocupação Belém me explica que a elevação do nível do mar pouco tem relação com o derretimento das geleiras. ``Ufa, aquele gelo todo derretendo não vai inundar o planeta'', penso. Entretanto, o aquecimento global, que eleva a temperatura do mar, pode sim ser responsável pelo pior.
Observo os alunos, enquanto me distraio clicando as luzes da cidade e dos barcos com minha câmera fotográfica. Todos conversam de assuntos variados: futuro, música, a vida em repúblicas. Além da conversa, a comida (reduzida a bolachas, salgadinhos e mais tarde esfihas) também ajuda a passar o tempo. A bióloga Gleyci Moser não vê a hora de uma nova turma chegar com água quente para o seu chá mate.
Estudantes se revezam no reduzidíssimo espaço reservado para colchões finos, que proporcionam pequenos cochilos. Permaneço do lado de fora durante quase todo o tempo. Isso porque na parte inferior do barco, o cheiro de gasolina é quase insuportável. O combustível é usado em uma espécie de gerador responsável por manter funcionando o laptop ligado a um equipamento capaz de medir velocidade da água, níveis de oxigênio, temperatura e salinidade.
Por volta das 4 horas da manhã a terceira equipe da Estação Fixa chega aos poucos. Além das mochilas, capas, água e bolachas, os alunos trazem um violão na bagagem.
Infelizmente vou embora antes de poder apreciar o talento musical desses futuros cientistas. Mas saio com a certeza de que ainda tem gente que se preocupa com o planeta.


Esse é o meu depoimento original e sem cortes, que integra matéria publicada em A Tribuna nesta segunda-feira (17) sobre um projeto científico do curso de Oceanografia, do Unimonte. Um dos coordenadores é o oceanógrafo André Belém, que já esteve na Antártica seis vezes.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Espelho

(substantivo masculino)

1- Superfície refletora de raios luminosos
2 - Objeto que serve para refletir




Mais uma escapada da Baixada Santista em busca de bons ângulos: A imagem do barco refletida na água foi clicada na Praia do Camaroeiro (Caraaguatatuba)

sábado, 26 de janeiro de 2008

462 anos


Isso que é envelhecer com qualidade de vida. Parabéns! No dia do aniversário de Santos, uma regata coloriu ainda mais o mar da cidade. Os inúmeros barcos, bem que podiam representar as velinhas.

Marco Padrão

Inaugurado em 1933, em comemoração aos 400 anos da Fundação de São Vicente, o Marco Padrão foi presente da colônia portuguesa, e é conhecido também como Pedra do Mato. Bem perto dali, na praia do Gonzaguinha, acontece todos os anos no mês de janeiro, a encenação da chegada de Martim Afonso a São Vicente.


sábado, 19 de janeiro de 2008

Abandono

(Escolha a melhor opção para esta imagem)
(substantivo masculino)

1 ato ou efeito de deixar, de largar, de sair sem a intenção de voltar; partida, afastamento
2 falta de amparo ou de assistência; desarrimo
3 ato ou efeito de renunciar, de desistir
4 estado ou condição do que é ou se encontra abandonado; desleixo, negligência
5 modo de quem vive ou se apresenta como se fosse abandonado
6 sensação de relaxamento físico e/ou mental; ato ou efeito de largar(-se), de soltar(-se)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Por onde andei


Se passei por aqui, pra onde é que eu fui?
Se pisei neste chão, onde estão minhas pegadas?
O vento levou? A água apagou?
Meus pés me levam em que direção?
Não sei, mas continuo andando

domingo, 13 de janeiro de 2008

U2 na praia do Embaré


(Que bom seria assistir a um show dessa fantástica banda irlandesa
em Santos. Texto da foto extraído da música City of Blinding Lights, do U2)



sábado, 12 de janeiro de 2008

Mágica

Paraty tem uma espécie de mágica que encanta a todos. Um de seus truques consiste em algo bem simples: com a leve invasão da água do mar, ou apenas com água da chuva, as ruas da cidade formam poças que funcionam como espelhos refletindo os velhos casarões. Aqui, um momento especial captado antes do breu da noite, e depois da claridade do dia.
(Mais uma vez fugi das nove cidades da Baixada Santista e fui buscar inspiração no litoral do Rio de Janeiro. Mas Paraty sempre vale a pena. Tanto que essa já é a terceira imagem da cidade postada aqui)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Clarice

"Por enquanto estou inventando a tua presença, como um dia também não saberei me arriscar a morrer sozinha, morrer é do maior risco, não saberei passar para a morte e pôr o primeiro pé na primeira ausência de mim - também nessa última hora e tão primeira inventarei a tua presença desconhecida e contigo começarei a morrer até poder aprender sozinha a não existir, e então eu te libertarei. Por enquanto eu te prendo, e tua vida desconhecida e quente está sendo a minha única íntima organização, eu que sem a tua mão me sentiria agora solta no tamanho enorme que descobri. No tamanho da verdade?"


(*trecho do livro A Paixão segundo G.H., de Clarice Lispector)

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Ângulo privilegiado





Para compensar a minha ausência,
um momento perfeito captado
num fim de tarde na praia de Santos

domingo, 9 de setembro de 2007

Acostamento


Com os mais de 300 mil veículos que saíram de São Paulo com destino à Baixada Santista, por causa do feriadão de 7 de setembro, foram comuns os flagrantes de desrespeito no trânsito. Nem mesmo a Polícia se deu ao trabalho de dar bons exemplos. Faltou fiscalização da Polícia Rodoviária para coibir tantos abusos. As três imagens de carros que utlizaram a faixa de acostamento para fugir da lentidão foram captadas na Rodovia Manoel Hípólito do Rêgo, no final da tarde de sábado (dia 8), quando o trânsito começava a ficar complicado. Muitos paulistanos resolveram antecipar a volta para a casa devido ao mau tempo.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Chuva


Verão úmido, inverno também. Em Santos não há período certo de chuvas. Em dias de muito sol, no auge do verão, são normais as pancadas de chuva no fim da tarde. Já no inverno, a chuva fina costuma deixar os dias mais frios.

Esta imagem foi obtida há 15 dias, quando choveu tanto que a cidade registrou vários pontos de alagamento. Alguns canais, marca registrada de Santos, chegaram a transbordar. O momento foi capturado por volta das 19h30, de dentro do ônibus, quando estava saindo de Santos, em direção a São Paulo.



sábado, 7 de abril de 2007

Engenheiro genial

O genial Saturnino de Brito foi o responsável pela construção dos canais de Santos, que completam 100 anos em 2007 (o primeiro deles começou a ser construído em 1905 e foi inaugurado em agosto de 1907). Foi ele que propôs a construção de nove canais para drenar as águas da chuva e acabar com as freqüentes inundações na cidade, diminuindo a quantidade de doenças que assolavam Santos. Isso, muita gente já sabe.
O que a maioria desconhece é que foi o mesmo Saturnino de Brito o responsável pelo “nascimento” de um dos principais cartões-postais da vizinha, São Vicente. Quando planejou o sistema reparador absoluto, com a separação do esgoto das águas da chuva e o esgotamento dos despejos pelo sistema de estações elevatórias, Saturnino precisava dar um jeito de levar os despejos para fora da Ilha de São Vicente, por meio de uma tubulação que atravessaria o mar até chegar a Ponta de Itaipu. Assim, para prender esses canos, foi encomendada na Alemanha e inaugurada em São Vicente, em 1914, a ponte pênsil (na imagem, à direita).

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Contraste


Nem só de beleza, paisagem e pôr-do-sol vive a Baixada Santista. Como em toda região metropolitana do país, há problemas crônicos: habitações subnormais, falta de saneamento e pessoas vivendo na mais absoluta pobreza. A imagem dá uma pequena amostra de como vivem algumas crianças da região. Bem longe das praias e da ostentação das torres da orla, muitas (centenas, milhares... quem saberia precisar os números?) moram em barracos e brincam no meio da sujeira e do esgoto.

Na foto, crianças da Favela Vila Alemoa (Santos), que pegou fogo em dezembro de 2006, deixando 166 famílias desabrigadas.
A imagem foi capturada pelo arquiteto e urbanista José Marques Carriço.

Pelo mar

O navegador Martim Afonso de Sousa não foi direto para São Vicente. Em janeiro de 1531, ele chegou a Pernambuco e, dali, seguiu viagem para o Sul. Aportou na Bahia, depois chegou à Baía de Guanabara, e continuou descendo pela costa brasileira. Mais tarde, chegou à Baía de Cananéia e, finalmente, depois de muitas tempestades e até um combate a navios franceses que contrabandeavam pau-brasil, em 20 de janeiro de 1532, avistou a Ilha de São Vicente. Mas, por causa do mau tempo, a descida à terra firme aconteceu apenas dois dias depois, em 22 de janeiro.

Passados 475 anos, os caminhos para chegar à chamada Cellula Mater da Nacionalidade, ou Primeira Cidade do Brasil, são bem mais simples. Não é preciso enfrentar tempestades e nem inimigos. Muito menos, chegar pelo mar.

No detalhe, os novos navegadores na Baía de São Vicente “enfrentando” a calmaria das águas na praia do Gonzaguinha.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Verão


O verão começa às 22 horas e 22 minutos de hoje. Esta imagem foi obtida horas antes de ter início a estação mais quente do ano: às 6h30. A promessa é de muito calor e lindas imagens.










Esta é a imagem que tenho visto nas duas últimas semanas, da janela do ônibus, quando estou voltando para casa, depois de uma longa noite de trabalho.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Merecido nome

Não é difícil entender porque Ilhabela tem este nome. Merecido nome! A cidade, no Litoral Norte do Estado (aqui estou eu, novamente, saindo das nove cidades da Baixada Santista), além da exuberante beleza, conseguiu manter o status de mais preservada do país. Segundo matéria publicada hoje, em A Tribuna, Ilhabela tem 92% (32.073 ha) de preservação da Mata Atlântica original.


*Aproveito a imagem do mar de Ilhabela para lançar mais uma pequena série: molduras.
Segundo o dicionário Aurélio, moldura é a peça com que se cercam e/ou guarnecem pinturas, fotografias, etc.

Aqui, a imagem já vem com moldura, proporcionada pela própria natureza.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Fim de tarde na Baixada

Algumas cenas na Baixada Santista ficam mais bonitas no Verão. Como esta com dois adolescentes surfando (ou tentando surfar) no mar calmo na praia do Gonzaguinha, em São Vicente.
*A imagem está escura e granulada porque além da falta de luz, a pequena câmera que uso (que aliás é extremamente amadora e não tem nenhuma qualidade) estava programada para a menor resolução possível.

sábado, 25 de novembro de 2006

Lembranças da infância


Desde criança um dos meus programas favoritos, em Santos, era ir ao Aquário. Hoje, com 37 anos de idade, nada mudou.
Vale destacar que o Aquário de Santos é o primeiro aquário público do Brasil. Inaugurado em 1945 pelo então Presidente Getúlio Vargas, hoje é o segundo parque mais visitado do Estado, superado apenas pelo Zoológico de São Paulo.


*As tartarugas do Aquário são simplesmente fascinantes