
The only real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes, but in having new eyes
Marcel Proust
(A única viagem real de descobertas consiste não em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos)
Imagem clicada do barco durante a madrugada, mostrando vista parcial de prédios na Ponta da Praia, em Santos. As luzes borradas são resultado da baixíssima velocidade para registrar a escuridão, sem auxílio de flash e de tripé
Minha aventura junto com estudantes e professores do curso de Oceanografia começou por volta das 19 horas de quinta-feira e seguiu até as 4h30 de sexta. Por sorte, o perigo representado pelo mar ficou reduzido, já que a embarcação utilizada para a Estação Fixa fica parada bem próxima a Ponte Edgar Perdigão. Mas um ingrediente prometia tornar a noite mais difícil: durante boa parte do tempo choveu e ventou.
Independente do clima, que umedecia a roupa e provocava até uma sensação de frio em pleno verão, o mais estranho foi ficar durante quase toda a noite vendo a cidade de outro ângulo. A iluminação amarelada da orla dá um toque especial a Santos.
Olhando para o outro lado, apesar de ser santista de nasci mento, me surpreendo com a movimentação de navios que passam pelo estuário durante a noite, sempre acompanhados de lanchas da praticagem. Por volta das 22 horas, em cerca de 10 minutos, quatro deles, de tamanhos diferentes, cruzam o canal.
Converso com o oceanógrafo André Belém e mato algumas curiosidades. Ele me conta que quando voltou à Antártica (no final de dezembro) sentou na mesma pedra em que esteve há 14 anos e encontrou um cilindro que deixou com objetos pessoais.
Descubro mais sobre o continente gelado, e fico com um misto de alívio e preocupação Belém me explica que a elevação do nível do mar pouco tem relação com o derretimento das geleiras. ``Ufa, aquele gelo todo derretendo não vai inundar o planeta'', penso. Entretanto, o aquecimento global, que eleva a temperatura do mar, pode sim ser responsável pelo pior.
Observo os alunos, enquanto me distraio clicando as luzes da cidade e dos barcos com minha câmera fotográfica. Todos conversam de assuntos variados: futuro, música, a vida em repúblicas. Além da conversa, a comida (reduzida a bolachas, salgadinhos e mais tarde esfihas) também ajuda a passar o tempo. A bióloga Gleyci Moser não vê a hora de uma nova turma chegar com água quente para o seu chá mate.
Estudantes se revezam no reduzidíssimo espaço reservado para colchões finos, que proporcionam pequenos cochilos. Permaneço do lado de fora durante quase todo o tempo. Isso porque na parte inferior do barco, o cheiro de gasolina é quase insuportável. O combustível é usado em uma espécie de gerador responsável por manter funcionando o laptop ligado a um equipamento capaz de medir velocidade da água, níveis de oxigênio, temperatura e salinidade.
Por volta das 4 horas da manhã a terceira equipe da Estação Fixa chega aos poucos. Além das mochilas, capas, água e bolachas, os alunos trazem um violão na bagagem.
Infelizmente vou embora antes de poder apreciar o talento musical desses futuros cientistas. Mas saio com a certeza de que ainda tem gente que se preocupa com o planeta.
Inaugurado em 1933, em comemoração aos 400 anos da Fundação de São Vicente, o Marco Padrão foi presente da colônia portuguesa, e é conhecido também como Pedra do Mato. Bem perto dali, na praia do Gonzaguinha, acontece todos os anos no mês de janeiro, a encenação da chegada de Martim Afonso a São Vicente.
Paraty tem uma espécie de mágica que encanta a todos. Um de seus truques consiste em algo bem simples: com a leve invasão da água do mar, ou apenas com água da chuva, as ruas da cidade formam poças que funcionam como espelhos refletindo os velhos casarões. Aqui, um momento especial captado antes do breu da noite, e depois da claridade do dia.


O genial Saturnino de Brito foi o responsável pela construção dos canais de Santos, que completam 100 anos em 2007 (o primeiro deles começou a ser construído em 1905 e foi inaugurado em agosto de 1907). Foi ele que propôs a construção de nove canais para drenar as águas da chuva e acabar com as freqüentes inundações na cidade, diminuindo a quantidade de doenças que assolavam Santos. Isso, muita gente já sabe.
O navegador Martim Afonso de Sousa não foi direto para São Vicente. Em janeiro de 1531, ele chegou a Pernambuco e, dali, seguiu viagem para o Sul. Aportou na Bahia, depois chegou à Baía de Guanabara, e continuou descendo pela costa brasileira. Mais tarde, chegou à Baía de Cananéia e, finalmente, depois de muitas tempestades e até um combate a navios franceses que contrabandeavam pau-brasil, em 20 de janeiro de 1532, avistou a Ilha de São Vicente. Mas, por causa do mau tempo, a descida à terra firme aconteceu apenas dois dias depois, em 22 de janeiro. 
Não é difícil entender porque Ilhabela tem este nome. Merecido nome! A cidade, no Litoral Norte do Estado (aqui estou eu, novamente, saindo das nove cidades da Baixada Santista), além da exuberante beleza, conseguiu manter o status de mais preservada do país. Segundo matéria publicada hoje, em A Tribuna, Ilhabela tem 92% (32.073 ha) de preservação da Mata Atlântica original.
Algumas cenas na Baixada Santista ficam mais bonitas no Verão. Como esta com dois adolescentes surfando (ou tentando surfar) no mar calmo na praia do Gonzaguinha, em São Vicente.*As tartarugas do Aquário são simplesmente fascinantes